Por Diego Andia
“Para comunicar, os homens trocam sinais. Isso significa que é impossível existir consciência de si mesmo se não em relação ao ‘outro’”. Káthia Castilho
A primeira coisa que se precisa para entender moda é entender os conceitos que se camuflam dentro e fora deste termo. Moda antes de tudo é um reconhecer-se fora de si mesmo. É como dizem: sabemos quem somos através dos olhos de outrem. E é bem isso mesmo que fazemos. Preocupamos-nos em “dizer” algo através do que vestimos para os outros. Se não houvesse os olhos do outro, talvez nem nos importássemos em parar uma hora para escolhermos uma roupa legal, ou cinco minutos, quando estamos atrasados para o trabalho. Afinal, a primeira impressão sempre será a que importa nesse mundão de deus. A não ser que você seja extremamente seguro de si a ponto de bancar todas as dificuldades que virão, tanto social como econômica, pelo simples fato de ‘defender’ seu estilo de vida e de se vestir, perante uma sociedade exigente.
Mas filosofia de vida à parte, o ser humano é comportamental, e moda é comportamento. Comportamento é interação, e para que haja isso, necessita-se de um diálogo, um discurso, e através da arte da retórica [basicamente o convencimento de idéias através da oratória], todos ‘conversamos’ entre nós mesmos o que somos, o que queremos, o que detestamos, etc. através da moda.
Quantas vezes vimos pessoas nas ruas se vestindo totalmente fora daquilo que ‘achamos’ bonito? Claro que gosto não se discute, e é exatamente isso que devemos entender na moda. Cada um é livre de se expressar conforme lhe convêm, bizarrices à parte, claro.
Esse é o poder legítimo da pós-modernidade. Liberdade de decisão. Para exemplificar isso, é o efeito “Gothic Lolitas” ou “GothLoli” no Japão. Segundo o Wickipédia, é uma moda urbana japonesa popular entre adolescentes e jovens adultas [e por vezes pessoas do sexo masculino], que vestem roupas de inspiradas, em sua maioria, pela moda vitoriana, rococó ou edwardiana e freqüentemente tentam imitar a aparência de bonecas de porcelana ou princesas. A origem do gosurori é uma combinação da moda lolita – que envolve tentar parecer ‘fofa’ ou meiga a ponto de parecer infantil – e certas características da moda gótica. O que vemos é pessoas querendo se comunicar diferentemente do usual. Talvez possa haver uma brincadeira, uma representação de um personagem. Mas muitas dessas pessoas se vestem assim praticamente as 24 horas do dia. E personagem por personagem, todos somos um. Alguns mais excêntricos que outros.






