Por Diego Andia
Antes leia o texto:
A linguagem do corpo: o Corpo fala
“No nosso corpo se revela o desejo de Deus”.[1]
O advento da Internet trouxe reformulações profundas em todos os aspectos de nossa Sociedade, principalmente no campo da linguagem.
Apesar de todo estudo desenvolvido sobre semiótica, acredito que a Linguagem do corpo é a mais significativa, pois é a linguagem do vivido, da encarnação, do poder (dunamis).
1. A linguagem do corpo é a linguagem expressiva. É uma linguagem que sai do significante/significado e se expressa no movimento. O movimento é inconcebível… É misterioso… É mágico… É litúrgico.
2. A linguagem do corpo é a linguagem sensual. O movimento é sexy… O corpo goza… Não há orgasmo fora do corpo.
3. A linguagem do corpo é a linguagem comunicativa. O corpo fala. Fala mais alto, grita e agita, enfim, comunica.
4. A linguagem do corpo é a linguagem emotiva. O corpo chora e ri em alternâncias de emoções. O corpo sente, somatiza. O corpo se emociona.
5. A linguagem do corpo é a linguagem dramática. O rito é a dramatização do mito [2]. O mito é a linguagem religiosa que expressa sua verdade. No corpo, o santo e o profano falam, dramatizam.
6. A linguagem do corpo é a linguagem interativa. Na era da globalização, do DESCONSTRUTIVISMO, da interação, o corpo interage. O corpo se expressa no conjunto.
7. A linguagem do corpo é a linguagem comunitária. A linguagem comunitária tem dois aspectos: comunhão (koinonia) e mensagem (kerigma). A comunidade preserva sua mensagem através do corpo. Como é lindo ler os rituais do VT…
8. A linguagem do corpo é a linguagem do divino. “E o verbo se fez carne… e tabernaculou entre nós” [3]. Não podemos desassociar o Cristo Salvífico (da fé) do Cristo histórico. A Salvação é linguagem do corpo: Cristo morreu por nós… E ressuscitou… O CORPUS CHRISTI.
9. A linguagem do corpo é a linguagem do pecado. O corpo peca… E gosta. O impulso para a vida passa pelo eros (eros) e tanatos (tanatos). O corpo peca porque há esperança de remissão, e não há remissão sem derramamento de sangue [4]: O corpo sofre.
10. A linguagem do corpo é a mensagem do perdão. Se o corpo peca, o corpo se arrepende. Há remissão no e do corpo. Não há mais espaço para o maniqueísmo, dualismo, dicotomismo freudiano. O corpo nega isto… O corpo se auto-afirma.
“O CORPO FALA E FALA MUITO, COISAS QUE NÃO QUEREMOS DIZER OU SUBLIMAMOS”
Pela ótica do texto de Vanderlei de Barros Rosa [O Corpo Fala], podemos compreender a complexidade e importância que o corpo como estrutura tridimensional e agregada ao poder da pele, que permite qualquer intervenção estética, tem.
Não há nada tão mais político que o corpo. Todos a temos. Ela é democrática. Mais democrática que lágrimas, prazeres, sentimentos etc.
Tanto é verdade que foi o primeiro ‘veículo-mídia’ que os primeiros hominídeos descobriram para se ‘comunicarem’. E quando falo em primeiros seres humanos, digo, tribos. Visto historicamente ou em evolução, uma tribo consiste de uma formação social antes do desenvolvimento de, ou fora de estados. Muitas pessoas usam o termo para referir-se a sociedades indígenas não ocidentais. Alguns cientistas usam o termo para referir às sociedades organizadas largamente baseadas em corporações de grupos de descendentes.
Não tão diferente do dias de hoje, as tribos se modificaram e se tornaram urbanas. Segundo o Wikipédia, as tribos urbanas (ou metropolitanas) são constituídas de micro grupos que tem como objetivo-mor estabelecer “redes de amizades” a partir dos interesses e afinidades em comum. Essas agregações apresentam uma conformidade de pensamentos, hábitos e maneiras de se vestir. Um exemplo conhecido de tribo urbana são os Punks.
Enfim, a civilização humana possuiu diversas facetas, as primeiras civilizações, os hindus, os bárbaros, os nórdicos, os maias e os astecas, etc, uma infinidade. Cada região isolada do globo possuiu povos diferentes, culturas diferentes, ‘modas’ diferentes.
No campo da arte contemporânea, o poder dessa pluralidade de expressões corporais foi muito bem exemplificado na exposição Corpos Pintados, um projeto chileno que veio ao Brasil. Corpos de diferentes raças em estado natural, pintados, possibilitando diversas leituras visuais.
Corpos Pitados:
E esse raciocínio me fez lembrar dessa exposição, particularmente um vídeo-documentário que eu assisti lá, onde mostrava uma tribo da terra do fogo, os Selk’man, povo indígena que pintavam os corpos como forma de comunicação, pois não possuíam códigos lingüísticos verbais decifráveis. Essa civilização já desapareceu, e as únicas fotos foram feitas no início do século passado. Um exemplo isolado, e longe da nossa realidade cotidiana, mas que reflete a complexidade do corpo, a fragilidade dele como qualquer outra espécie, que se perde na história, e que também é cultura de pesquisa de moda.
Selk’man:
na moda:









