Troca de e-mails :
” Li o trabalho da Raquel Caires e me chamou muito a atenção para as seguintes citações:
Segundo Beatriz Ferreira Pires, em O Corpo como suporte da Arte, “ Pertencendo a uma sociedade globalizada na qual é cada vez mais difícil a sobrevivência de características próprias, sejam estas individuais, sejam sociais, e em que tudo é descartável e mutável, o indivíduo adquiri a opção de construir seu corpo conforme seu desejo”.
Isso me despertou pro meu trabalho, o qual eu vou no sentido contrário. Enquanto há milhões de pessoas procurando modificar seus corpos para ‘dizer’ algo, ou até mesmo como a Daniele Santana disse em seu trabalho sobre os ritos de passagens que não podem ficar somente na mente e sim necessitam ser exteriorizados, tornando ambas situações de remodelagem corpórea e sinal de um certo ’status’, queria saber o que vocês acham em relação da deformidade física. Como poderiamos classificar isso? Sim, ela [deformidade física] acaba mesmo sem querer criando ‘tribos’, mas será que ela tem o poder de moda, comunicação, etc. como os punks têm? É a mesma coisa? Essas pessoas também não sentem necessidades de dizer algo para o mundo em que fazem parte? Eu acho engraçado certas coisas. Pessoas mudando o corpo para serem diferentes, e os que já nascem diferentes desejando corpos normais.
No mesmo trabalho da Raquel ela cita Zygmunt Bauman. O extranho é necessário, resumidamente.
Levanto outro pergunta. A roupa e os acessórios como elementos de moda, ainda possuem forte influencia no discurso de uma pessoa como o Joseph [o homem elefante]? A roupa consegue sobresair no discurso visual, ou a deformidade consegue tirar esse foco? Arrisco um palpite. Tudo seria questão de se acostumar. Fica a provocação!
att. diego “